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Escalada ao cume do Pico da Antónia - O desafio alpinista

Projectada há muito tempo, mas constantemente adiada - a subida para o Pico da Antónia. Finalmente, tinha chegado o momento. Um dia ensolarado, de céu limpo, convida mesmo para aceder a esse desafio alpinista.

Arrancamos às 8 horas. Para abreviar a escalada, vamos de carro até ao Monte Tchota (Monti Txóta, em crioulo). Depois de uma breve visita à estação emissora recém-construída e de umas vistas espectaculares por sobre a ilha, caminhamos por um caminho estreito através do eucaliptal pouco denso.

O nosso guia é, por natureza, parco em palavras. No entanto, conhece bem o terreno e, quando solicitado, não se faz rogado e proporciona informações sobre as plantas e os mais variados panoramas da ilha que vão surgindo.

Não tarde e saímos da mata para trilharmos aquele caminho estreito, cheio de pedras e, por vezes, escorregadio que nos exige toda a atenção. O caminho antes era melhor, conta-nos o guia, mas com as últimas chuvadas ter-se-á deteriorado bastante.

O caminho, em parte do trajecto, vai serpenteando pelos arbustos. Convém vestir umas calças compridas e uma camisa/blusa, para limitar os arranhões. Mesmo assim, há ramos obstinados que não deixam de perfurar as calças ou disferir golpes oblíquos vindos de por detrás.

Sinuosamente vai o caminho de cabras subindo e descendo pelo terreno escabroso à volta da encosta ocidental do Pico da Antónia. Atravessamos vales que formam pequenas entradas na montanha, passamos por cima de cumeadas rochosas, aproximando-nos da escalada final. O caminho deixou, definitivamente, de se reconhecer e seguimos o guia que nos proporciona o melhor trilho.Subimos um trecho bastante inclinado, avançando por um prolongamento rochoso, sendo necessário, às vezes, o apoio das mãos para continuar a subida, quando a pedra firme mais próxima fica a grande distância.

Logo a seguir a uma saliência rochosa o nosso guia conta-nos que, perto dali, já se tinha despenhado uma pessoa que, por não conhecer a montanha, tinha seguido pelo lado esquerdo, em vez de se manter à direita. Nós preferimos seguir as pegadas do guia e assim alcançamos, após uma última escalada íngreme e penosa, o cume lateral do Pico da Antónia, a 1315 m de altitude.

A vista é indiscritível e nós os quatro estamos de acordo: isto vale a pena. Uma vista em redor, num raio de quase 360°, numa altitude de cortar o fôlego - com visibilidade boa e o melhor tempo domingueiro. Olhar, ficar pasmado e silencioso, guardar tudo isto - ...é, pura e simplesmente lindo. O silêncio total é apenas interrompido por um ou outro grito de pássaro.

Como todos gostamos das nossas vidas, dispensamos o resto do caminho perigoso até ao cume principal, cheio de risco de queda, e, depois de uma pausa, encetamos a descida.

O mesmo caminho, agora experimentado numa visão completamente diferente, traz-nos de volta ao Monte Tchota. Depois de uma descida breve pela estrada calcetada, entramos no eucaliptal ralo. O nosso caminho - ladeado por alguns ciprestes e agaves - faz-nos descer até estarmos de regresso a Rui Vaz.

Infelizmente, o troço final, à esquerda e à direita do caminho, está a ser utilizado como vazadouro de lixo. Ali podem encontrar-se, praticamente alinhadas, as garrafas não reutilizáveis da cerveja de importação europeia, assim como as latas e o lixo de plástico provenientes de países europeus, que estragam a paisagem. Talvez venha um dia existir uma lei a impor aos países de origem o dever de receber de volta todo este lixo de embalagens...

A minha conclusão

Como já aqui foi referido, o nosso guia não era propriamente prolixo. Mas a sã sensação de termos connosco um homem responsável, conhecedor da montanha e dos seus caminhos, fez com que esta fosse para nós uma excursão segura e um grande prazer, apesar de todo o esforço necessário. Como várias coisa na vida, ela faz parte dessas experiências que continuarei a relatar com entusiasmo por muitos anos ainda, sem que esteja, no entanto, inclinada a repeti-la, embora seja aqui em Santiago que vivo.

Esta excursão até ao Pico é mesmo exigente. Não por causa da diferença de metros em altitude (são por volta de 600 m de diferença na subida e outros 600 m na descida), mas devido ao caminho, na verdade inexistente, que leva até ao cume. O autor de um livro, regra geral, só lá vai uma vez, não sendo mais visto, posteriormente, no local. Quando, na consequência da chuva ou por desgaste, um caminho fica alterado no seu perfil, isto já não aparece descrito. Quem empreender uma caminhada deste tipo, passando por terreno despovoado, não deve fiar-se em informações impressas, desactualizadas. Caminhar, ali, sem guia, seguindo, por exemplo, o percurso descrito por Lipps/Breda (Dumont 2001) - que nem se dá ao luxo sequer de recomendar um guia - seria para mim de uma leviandade imperdoável..

Por isso, prefiro confiar os nossos clientes a um guia local: Destes escalam o Pico várias vezes por semana, em todas as épocas do ano. Eles conhecem os trilhos, notam as alterações e sabem reagir a elas.

Notas

O "Monte Radar"

O nome do monte vem dos pássaros que ali existem em grande número: txóta téra "o pardal da terra" (= de Santiago). É por isso que o "Monte Radar" se chama, na realidade, Monte Tchota (Monti Txóta.

Alojamento

Passámos a noite na Pensão Parque Natural da Serra do Pico da Antónia

Galeria de Imagens

Sobre as imagens desta excursão

Os nossos serviços

Mais pormenores para esta excursão poderá obter directamente no local de Sibylle & Giraldo. Dependendo do grau de dificuldade da orientação, tratar-se-á de uma mappa de excursão para ilha de Santiago e/ ou de uma descrição do percurso e/ ou de um guia local. ( Telefone directamente no local: Esplanada Silibell - Bar, Restaurante, Informação turística para Calheta & Santiago )

Para informações sobre o programa
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